Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
Tentado pela maçã que invade seu pseudo-espaço, angustiado pela irresolução que se lança sobre suas fantasias, instável como um big bang caótico, que se faz em uma rubra pincelada em um céu vazio, perdido de uma viagem eterna em um mar de consciência flutuante, eis o navio de cristal, eis três viajantes em um mesmo barco, tão frágil quanto a relatividade de suas emoções, sozinhos a buscar pelo ideal perdido, doce vicio, quanto ao qual é escrever sobre o que há de ser, pensar, fazer, sonhar e por fim realizar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bobagem


Tenho tanto medo que quase posso chorar, 
Porque eu amo tanto que quase chega a doer,
Se eu pudesse voltar atrás escolheria amar,
Porque eu quase me esqueço o que era viver.

Meu dilema é bobagem, é ter que aguentar, 
Amar um bocado, ou tentar te esquecer,
Porque se por um dia não posso te amar,
Transbordo saudade e nada posso fazer.

É estranho ser hoje mais do que ontem fui, 
Porque o normal de ontem era ser só eu,
Felizmente hoje sou mais do que sempre fui,
Talvez seja porque, hoje sou eu e você.

E se amanhã chover, eu irei estar lá,
Porque se você ao meu lado estiver, 
Feliz, completo e bobo contigo estarei,
Basta apenas sorrir, e dizer que me quer.


J.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Descoberta


Ahhhhh, “vamos lá”, “pois bem”, “então” e todas as outras palavras possíveis de se usar para enrolar o inicio de uma estória. O fato é que eu ainda não engoli esse ciclo fiado da vida, de altos e baixos, vitórias e derrotas, com todos esses contrastes “hiperbulosos” criativamente embutidos em simples palavras, tenho que romper com a escuridão habitual na qual visto meus textos, me perdoem, mas achei uma tocha no caminho, vendo por trás dela, meu caminho é um só.
Estou tão contente que posso enrolar-me em mil raios de pensamento conexos ao meu peito, enrolar-me no êxtase dessa chama que agora me aquece, poxa, eu tremi por muito tempo, tudo que eu tinha eram agasalhos sem vida, a memória sem cheiro.
Quando você! Querido leitor, se aquecer na pele de outrem, não se envergonhe, a paixão é toda aquela coisa clichê que dizem, mas não se restringe aos dizeres, é palpável, transmuta-se, por exemplo, em minha descrição mental: a pele que ternamente desliza por tua pele e destaca todo aquele relevo poroso engraçado, arrepios que precedem o amor; pensei enquanto olhava pra baixo.
Conquista. Essa palavra soa tão agradavelmente, é em si o que eu preciso para o agora. Todos os dias com minha tocha achada; um passo a frente para as profundezas do ser, pertencer e compartilhar, um passo a frente para a conquista da vitória no entrelaço de corpos que é amar, aqui o objetivo é ser como fones de ouvidos magicamente enroscados, e então jaz aqui meu desabafo (Essa é a parte que mais me assusta): Um passo para dentro de mim, cada vez mais perto, o estado de conforto, prazer e paz, não há droga mais eficaz, sou esmagado pela responsabilidade de permanecer capaz de manter meu vicio, este é, nada a mais que ter você bem de perto, é exatamente aí que sou fraco, na possibilidade da tua ausência, porque você é a luz dessa escuridão, a tocha companheira, que faz esse texto se desmanchar em purpurina juvenil, hoje você venceu, eu me entrego, revelo:
...descoberta não é nada menos que a beleza do teu nome que chamei mais cedo tantas vezes e não disse nada: Laíze, minha amada, você tinha razão eu deveria escrever...
J.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Roleta e o Pescador.


O desejo impossível do errante palhaço,
Queria ele ser o primeiro em teus braços,
Antes de todos que você conheceu,
Mas teu coração, a ele nunca pertenceu.

A coragem do idiota que anseia,
Ser foco da mira de um 38 engatilhado,
O amante suicida no seu ritual sagrado,
A roleta russa do homem apaixonado.

Sim, o ciclo de insistir em caminhar,
Na estrada de quem a outro se dá;
A irresponsabilidade de pertencer,
Sem a quem reclame qualquer posse.

O céu nublado prevê a tempestade,
O homem sai remando teu pequeno bote,
A pequena sereia canta o beijo da morte,
Mas dessa vez ele quer viver,

Pois foi pescar o amor. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu mal.


Parecia um fim de semana qualquer, um dia em que estava cansado e buscava o afago dos abraços amigos, mas não é sempre que achamos o que buscamos, muitas vezes somos achados, e eu fui.
Flui no meu sangue um veneno de uma cobra mortal. Envolveu-me em seu corpo frio e escamoso, me apertou até que eu já não pudesse resistir, um grito ecoou em silêncio no lugar mais escuro da minha alma, um veneno tão caro quanto um vinho velho, bem, eu tinha que pagar por ele, paguei com minha paz. Recebi uma carta do passado, ela revelou algo oculto, revelou segredos que prostituiram minhas lembranças outrora guardadas como troféu.
Hoje é o dia em que eu o liberto. Queime tudo com o olhar capaz de carregá-los ao inferno, pensei. Mas tudo que posso fazer é vomitar caso eu a veja, porque sim, eu sinto nojo. A piada com gosto de sangue, os sorrisos sem dentes e o palhaço sem cor, o tripé do que restou. Duas porcas e um galo, incumbidos de transmitir a sífilis para o hímen virgem que eu amava, que eu pensava amar, que representava o único momento em que eu pensava contatar aquilo dito “ser puro”.
O engano se tornou o ingrediente para condicionar o que está em mim agora, o mal. Não tenha medo, meu anjo, irei guardá-lo aqui dentro, mas se me ver irá saber o quão longe deve ficar. Amo-te cobra, trouxe-me a luz da verdade, a escuridão do pesar, a liberdade do sentir, e o caminho a se traçar, longe das porcas, da sífilis, da mão suja com a que me tocou. Desgraçado é todo o tempo que perdi em ti, mon petit.
J.