Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
Tentado pela maçã que invade seu pseudo-espaço, angustiado pela irresolução que se lança sobre suas fantasias, instável como um big bang caótico, que se faz em uma rubra pincelada em um céu vazio, perdido de uma viagem eterna em um mar de consciência flutuante, eis o navio de cristal, eis três viajantes em um mesmo barco, tão frágil quanto a relatividade de suas emoções, sozinhos a buscar pelo ideal perdido, doce vicio, quanto ao qual é escrever sobre o que há de ser, pensar, fazer, sonhar e por fim realizar.
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sábado, 8 de março de 2014

Enquanto eu te espero, eu escrevo...

Afogado em lucidez, e amando mais uma vez aqui estou eu. O passatempo da noite é transpor essas palavras sem pensar muito bem na ordem em que devem vir, o J. está morto, sua alma vos escreve.
Esse texto é sobre a Amélia, minha metade teimosa e com vontade própria. Uma garota cujo sorriso supera as expectativas da beleza de uma comparação qualquer, essas coisas da natureza que costumamos admirar, é como ter um nascer do sol refletido na superfície do mar, sim, particular, mas é melhor, eu te contei.
Eu não a possuo, mas sou um fiel extremista do nosso contrato de se amar, possuo o que ela me dá, algumas horas no celular antes de dormir são essenciais para que eu possa tranquilamente acordar.
Lembro-me que a mulher de verdade não gosta de gelo batido no Nescau, muito menos de estórias macabras, eu dou risada, mas ela fica muito brava, eu amo aquelas linhas de expressão.
Deitados lado a lado, meu Éden é sentir a dor do seu fogo íntimo, eu conheço o incêndio dentro da sua rosa, nessas horas sou a abelha que vai buscar o mel, me escondo da chuva no abrigo que desejei nos sonhos mais otimistas.
Eu vou até ela, ela vem até mim, esse hábito me da aquela sensação de estar fazendo o que é certo, e certo é esperar. Pouco a pouco vou construindo em Amélia o meu lar, meu lar, minha mulher, meu amor.

Vou dormir, ela está chegando...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Meu Lar - Parte II -

Estive pensando ; “Se eu tivesse sete vidas” o que eu faria? Sinceramente, eu não queria ter sete vidas, a graça da vida é ter uma única chance, uma única ficha para depositar no senhor Arcade.
Me tornei um jogador mais experiente, depois dos 20, os hormônios param um pouco de brincar com o mastro da sua cabeça, a relação disso com a escrita é que a maioria dos meus textos outrora estavam recheados de angústias e anseios, neste momento me sinto como um andarilho em uma praia que parou para descrever o movimento das espumas das ondas no mar,  elas costumam trazer algas até nossos pés e nós costumamos observar calados, naquele instante, você é apenas um elemento que compõe a paisagem, é uno com tudo que lhe cerca, nada menos, no entanto, minha intenção é relatar aqui que esse sincronia é responsável pelo sentimento de completude que por vezes torna esse jogo da vida, um jogo fantástico e interessante,  com todos os seus relevos sinuosos. A praia é o corpo da mulher que amo, os movimentos das espumas das ondas, são nossos dias, só nossos, as algas são as fantásticas interações das quais somos motor, não poderia ser diferente, mesmo as idiotices que nesse momento sinto orgulho em protagonizar, mas vergonha em lhes contar.

Hoje eu sou a ostrinha que toma sol na praia, não o aventureiro navegante apressado. Estou na maior parte do tempo sereno e centrado na minha morada, não poderia ser diferente, minhas viagens agora são a dois, e as ruas estão cheias de coadjuvantes. Eu quero viver com essa única ficha, mas não consigo fazer isso sozinho, não da pra ser forte sem ninguém pra de vez em quando carregar. Eu sei que a maioria das coisas na vida são transitórias, mas o meu amor nunca é, por isso eu o eternizo sempre que escrevo, se eu tivesse sete vidas gostaria de ser sete vezes da mesma mulher e escrever em cada uma das sete sobre ela, gostaria de estar ao lado dela durante esses mesmos sete meses e de ninguém mais, ser sete vezes o dono do “new high score”. Obrigado Amélia por me fazer entender o tempo de outra forma, com você não existem horas, dias e meses, é amor ontem, hoje e depois. Amor ad eternum. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Meu Lar - Parte I -

Eu poderia fazer uma alusão sobre como me sinto, digo, eu posso...
Meu amigo leitor, se tratando de pessoas e amor, por favor, não escute muito os outros, nem se inspire muito em filmes, nem em textos e comerciais, falarei verdades, verdades forjadas na experiência da pele que já se queimou mais de uma vez em doces sonhos, minhas verdades, não tão preciosas ou dignas de um sobretudo imaculado.
Se tratando de pessoas e amor, tudo pode ser quando pensar não ser nada, e não ser nada quando pensar ser tudo, trata-se de não ser, porque ser é um conceito estático e restritivo, lembro-te que só se é, sendo, ou seja, conheça alguém, e se permita a amar, mas isso depois de considerar e assumir as múltiplas consequências da sua escolha, e principalmente conheça a si mesmo antes de se permitir amar alguém, ou simplesmente se foda até dar certo. E eu não sei exatamente o que eu fiz, antes que vocês se perguntem...
Quem é esse alguém?
O complemento, e não o seu reflexo ou dos seus anseios idealizados e materializados em peitos ou um grande pênis. Talvez seja só o pênis ou um par de seios, vai depender do que você está procurando.
Mas então...
Já faz algum tempo que eu não escrevo aqui, e esse texto soa como um “olá”, eu andei fazendo algumas coisas, eu andei sendo feliz. Eu costumo escrever sobre o que me veem em mente, e as coisas costumam se conectar, agora que eu reli o inicio desse texto, percebi meu desejo subliminar. Eu só gostaria que todo mundo achasse sua sapatilha escondida como eu achei a minha, eu só queria que todo mundo pudesse ser feliz a dois, como eu estou. Eu falei que iria escrever para Amelia e aqui estou eu.
O fato é que pessoas seguras e realizadas não tem muito o que fazer, a não ser continuar a realizar aquelas fantasias secretas do universo do que nos é particular, algo como transar no estacionamento e casar nas montanhas, não precisa ser nessa ordem.

Eu falei que posso fazer uma alusão sobre como eu me sinto e confesso a vocês: Sinto que meu barco ancorou em um porto seguro, o porto seguro do navio de cristal, o porto do meu coração. 

sábado, 20 de julho de 2013

Ser com você


Foi fisgado por seu sonho traiçoeiro, o peixe estranho das profundezas do mar, sua morada tímida, entre as frestas das rochas submersas, não serve mais. Vai nadar com ela dentre os caminhos singelos da imensidão marinha, vai nadar com ela, com as mãos dadas a luxúria, entre gozo e saliva, arranhões e mordidas, beijos estranhos e sinceros, abraços em tom de infinito, as melhores intenções forjadas na união, “você em mim , eu em você.” 

Cada vez mais fundo, e longe de emergir. Ah, quanto desejo, planos e saudades. Améllia, você é tão linda, não vou me estender com essas palavras, estar com você , mesmo distante, tipo salvador e Londres, é melhor que escrever sobre tudo isso e o mais. O mais é justamente o óbvio, o agora e depois; eu e você sem mais, tão legal quanto a extensão de “Pi”. Pedaços de coisas coisadas que tornam tudo tão mais especial que outrora foi, de verdade.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Para meu amigo!



Isolamento; acho que às vezes esse estado é a condição mínima para que eu escreva com um pouco mais de racionalidade. Dois mil e treze não chegou muito educado, essa coisa de classificar o ano com um adjetivo que possa personaliza-lo é frescura, você sabe e se não sabia, sabe agora, algumas pessoas são perenes no tempo, não importa se os anos passam e tantas coisas acontecem.
Eu perdi um amigo no começo de janeiro, não que eu tenha perdido a sua amizade, mas o prazer da sua companhia, ele tem uns escritos aqui no blog, assinados por “L”, ele que fundou o blog comigo, se o proposito disso aqui era ter um design mórbido, agora tudo aqui tem um contorno meio mórbido, tanto faz se você olhar superficialmente ou der uma extensa vasculhada. Sinto que eu deveria falar sobre meu amigo e é isso que vou fazer, pois bem, ele é um cara que leva as coisas a sério, leva diversão a sério, leva o estudo a sério, a família e os amigos a sério, leva a saúde a sério, leva datas e horários a sério, leva o Discovery channel a sério, leva até esses rituais de comemoração a sério, por mais bobos que sejam, em suma, leva a vida a sério, se você está se perguntando por que eu o descrevi no presente, não se preocupe caro leitor, tenho o prazer de lhe explicar, acabei de ser iluminado por essa ideia... “É, de ser e não de foi”, porque a existência física não é parâmetro de classificação dos amigos de verdade no tempo passado, ele é e será, porque seus amigos e família enquanto existirem sempre o serão; amigos e família de Lucas.
Parando para pensar agora, eu sempre achei que as pessoas que levam a vida a sério demais não aproveitavam muita coisa e eram um bocado chatas, eu estava errado, porque Lucas mostrou que a vida pode ser aproveitada sem que sejamos obrigados a seguir aquela receita de bolo clichê, que diz; “foda-se tudo e faça o que quiser” como eu pareço seguir, eu sei.  
Lucas gozou a vida dando séria importância a comer duas embalagens de miojo, dançando sozinho no quarto, implicando com o irmão mais novo, me complexando com críticas pelo mero prazer de me ver complexado, e muitos outros momentos com Cristiane, a Ellen e tantas outras pessoas, que na noite ou fora dela eram sempre alvo do apreço e dos planos que Lucas fez. Às vezes eu não o encontrava em casa, ele estava na casa da tia Lurdinha, sua madrinha, outras eu o encontrava em casa e ele estava encolhido ao lado da mãe, como uma criança que pedia colo, ou só esperando o café que Ivonete fazia especialmente para ele, garoto mimado desenvolveu um método bem interessante de fazê-la sentir-se satisfeita em servi-lo, sagaz, eu notei.
Lucas às vezes tentou me bancar o cupido nos dias de festa, me encorajou a seguir com desejos bobos, se absteve de reclamar das coisas que sabia que não iria adiantar, e tinha um jeito legal de me fazer sentir especial, não que ele queria que eu me sentisse assim, Lucas não gostava de encorajar meu ego (ninguém gosta), mas eu me sentia especial quando ele dizia que eu entendia perfeitamente o que ele queria dizer e completava o que ele não podia expressar corretamente.
Não há saudade de ex namorada que se compare a saudade de um amigo, e eu sinto a falta do Lucas, todos os que o conheceram ainda sentem, sinto falta dos conselhos que só ele era capaz de dar, das piadas sujas que podíamos rir sem ninguém entender, eu queria poder derrota-lo em um jogo de sinuca, não lembro da ultima vez que eu ganhei. Ser amigo como Lucas é, trata-se de tornar a amizade imortal, de ter algo a ensinar com originalidade, de cultivar as peculiaridades, de valorizar as coisas responsavelmente corretas, de mesclar a inteligência e a tolice, equilibrando-as com sorrisos e também de ser chato por simplesmente querer.
 Lucas conheceu a mais bela das faces do amor, costumava exalar a êxito e partiu como um vencedor, amado por quem o conheceu, e respeitado por quem escutará suas estórias.
Ps: Te amo pra sempre, com e sem lágrimas...
J.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Para "N".


Há uma garota, guria, mulher para qual eu fiz referência ou dediquei a maioria dos meus textos e esse aqui é bem direto, para ela em especifico. O fato é que passei boa parte desses anos escrevendo algo reclamando sobre ter perdido, ou sobre como sentia sua falta, nossa, a vida é mesmo engraçada, eu nunca a perdi, nem nunca vou perdê-la. 
Depois que descobri isso me sinto meio ignorante para divagar com certeza sobre algo, mas disso eu acho que tenho alguma certeza; não é porque beijei a ti em nosso reencontro que nunca a perdi, mas simplesmente porque sei sobre o que falo, e este saber vai além do toque entre peles, vai além da emoção de estar.
“Na primeira hora te quero longe, você é só mais alguém, mesmo que eu demonstre um interesse especial em estar ao seu lado, respeite a distancia da minha pele! mas você me toca e me assusta, eu não sei bem o que isso quer dizer, mas ainda não quero o teu toque”.
“Na segunda hora eu permito, você é alguém para mim e pode alguma coisa, tocar é natural e isso não vai além, estou sorrindo feito um idiota, caminhando ingênuo, e esperando que mais horas passem, com você ao lado, é claro”.
“Na terceira hora somos amigos íntimos, confidentes, já temos alguma ideia no que isso vai resultar, discutimos por algo que não importa muito, eu sinto que devo ir embora, nosso reencontro não pode passar da onde está”.
“Na quarta hora somos amantes, namorados que nunca se separaram e nem disso são capazes, um beijo muito desejado, difícil de ser descrito porque a impressão foi além do normal, nosso momento é só o que importa, surreal...
Eu não sei quantas vezes esses momentos podem se repetir, muito menos a formula para manter você comigo do jeito que eu quero, eu não vou me desgraçar pensando até descobrir, ou lutar mil batalhas por você. Vez em quando já me basta, porque sempre vem e vai, você em mim, eu em você, sem mim e sem você.
Quando eu disse que nunca a perdi, não quer dizer que eu te tenho, mas que no nosso sempre, na nossa estória, sempre nos queremos. Me beija mais!  Não me importo em trair, não com você, mas eu sei de outra coisa, isso pode mudar. O tempo muda as coisas, e ainda assim outras nunca mudam não é?
Uma mudou, essa você precisa saber; não sou mais de me entregar sem pensar, a parte que você tem é a que nunca perdeu, porque quando eu te amei, eu deixei com você, e ainda está, “sempre” estará.
J.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bobagem


Tenho tanto medo que quase posso chorar, 
Porque eu amo tanto que quase chega a doer,
Se eu pudesse voltar atrás escolheria amar,
Porque eu quase me esqueço o que era viver.

Meu dilema é bobagem, é ter que aguentar, 
Amar um bocado, ou tentar te esquecer,
Porque se por um dia não posso te amar,
Transbordo saudade e nada posso fazer.

É estranho ser hoje mais do que ontem fui, 
Porque o normal de ontem era ser só eu,
Felizmente hoje sou mais do que sempre fui,
Talvez seja porque, hoje sou eu e você.

E se amanhã chover, eu irei estar lá,
Porque se você ao meu lado estiver, 
Feliz, completo e bobo contigo estarei,
Basta apenas sorrir, e dizer que me quer.


J.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Descoberta


Ahhhhh, “vamos lá”, “pois bem”, “então” e todas as outras palavras possíveis de se usar para enrolar o inicio de uma estória. O fato é que eu ainda não engoli esse ciclo fiado da vida, de altos e baixos, vitórias e derrotas, com todos esses contrastes “hiperbulosos” criativamente embutidos em simples palavras, tenho que romper com a escuridão habitual na qual visto meus textos, me perdoem, mas achei uma tocha no caminho, vendo por trás dela, meu caminho é um só.
Estou tão contente que posso enrolar-me em mil raios de pensamento conexos ao meu peito, enrolar-me no êxtase dessa chama que agora me aquece, poxa, eu tremi por muito tempo, tudo que eu tinha eram agasalhos sem vida, a memória sem cheiro.
Quando você! Querido leitor, se aquecer na pele de outrem, não se envergonhe, a paixão é toda aquela coisa clichê que dizem, mas não se restringe aos dizeres, é palpável, transmuta-se, por exemplo, em minha descrição mental: a pele que ternamente desliza por tua pele e destaca todo aquele relevo poroso engraçado, arrepios que precedem o amor; pensei enquanto olhava pra baixo.
Conquista. Essa palavra soa tão agradavelmente, é em si o que eu preciso para o agora. Todos os dias com minha tocha achada; um passo a frente para as profundezas do ser, pertencer e compartilhar, um passo a frente para a conquista da vitória no entrelaço de corpos que é amar, aqui o objetivo é ser como fones de ouvidos magicamente enroscados, e então jaz aqui meu desabafo (Essa é a parte que mais me assusta): Um passo para dentro de mim, cada vez mais perto, o estado de conforto, prazer e paz, não há droga mais eficaz, sou esmagado pela responsabilidade de permanecer capaz de manter meu vicio, este é, nada a mais que ter você bem de perto, é exatamente aí que sou fraco, na possibilidade da tua ausência, porque você é a luz dessa escuridão, a tocha companheira, que faz esse texto se desmanchar em purpurina juvenil, hoje você venceu, eu me entrego, revelo:
...descoberta não é nada menos que a beleza do teu nome que chamei mais cedo tantas vezes e não disse nada: Laíze, minha amada, você tinha razão eu deveria escrever...
J.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Roleta e o Pescador.


O desejo impossível do errante palhaço,
Queria ele ser o primeiro em teus braços,
Antes de todos que você conheceu,
Mas teu coração, a ele nunca pertenceu.

A coragem do idiota que anseia,
Ser foco da mira de um 38 engatilhado,
O amante suicida no seu ritual sagrado,
A roleta russa do homem apaixonado.

Sim, o ciclo de insistir em caminhar,
Na estrada de quem a outro se dá;
A irresponsabilidade de pertencer,
Sem a quem reclame qualquer posse.

O céu nublado prevê a tempestade,
O homem sai remando teu pequeno bote,
A pequena sereia canta o beijo da morte,
Mas dessa vez ele quer viver,

Pois foi pescar o amor. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu mal.


Parecia um fim de semana qualquer, um dia em que estava cansado e buscava o afago dos abraços amigos, mas não é sempre que achamos o que buscamos, muitas vezes somos achados, e eu fui.
Flui no meu sangue um veneno de uma cobra mortal. Envolveu-me em seu corpo frio e escamoso, me apertou até que eu já não pudesse resistir, um grito ecoou em silêncio no lugar mais escuro da minha alma, um veneno tão caro quanto um vinho velho, bem, eu tinha que pagar por ele, paguei com minha paz. Recebi uma carta do passado, ela revelou algo oculto, revelou segredos que prostituiram minhas lembranças outrora guardadas como troféu.
Hoje é o dia em que eu o liberto. Queime tudo com o olhar capaz de carregá-los ao inferno, pensei. Mas tudo que posso fazer é vomitar caso eu a veja, porque sim, eu sinto nojo. A piada com gosto de sangue, os sorrisos sem dentes e o palhaço sem cor, o tripé do que restou. Duas porcas e um galo, incumbidos de transmitir a sífilis para o hímen virgem que eu amava, que eu pensava amar, que representava o único momento em que eu pensava contatar aquilo dito “ser puro”.
O engano se tornou o ingrediente para condicionar o que está em mim agora, o mal. Não tenha medo, meu anjo, irei guardá-lo aqui dentro, mas se me ver irá saber o quão longe deve ficar. Amo-te cobra, trouxe-me a luz da verdade, a escuridão do pesar, a liberdade do sentir, e o caminho a se traçar, longe das porcas, da sífilis, da mão suja com a que me tocou. Desgraçado é todo o tempo que perdi em ti, mon petit.
J.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Impulso


A gangorra que vem e vai na estrada dos loucos, o impacto que se soma na calada da noite  ilumina o horizonte com uma fogueira incessante, cheiro de morte, gordura grudada no estofado, ferragens contorcidas da gaiola humana artesanal, arte contemporânea é isso, mas eu não fico pra ver.
Isso não me interessa, mas tenho que admitir, é um dos ramos do fluxo do tempo que o futuro fim de semana me reserva, eu não acredito nisso, mas tive que escrever, eu não achava isso certo, mas tive que fazer, eu desprezava isso de tal forma que nenhum adjetivo seria suficiente para caracterizar o meu desprezo, mas por capricho mostrei-lhe um pouco da minha repulsão.
Eu confesso:
- De nenhuma outra forma poderia ser mais sincero, de nenhuma outra forma obteria o prazer proveniente dos riscos de todos os conflitos e perigos, de nenhuma outra forma poderia ser mais fiel ao meu instinto.
Eu penso:
- Tolice é a forma ingênua com que se externa um impulso, tolice é reprimi-lo, é quase como um aborto prematuro de si mesmo, mas não leve isso ao pé da letra meu caro, existem limites que delimitam se o impulso pode ou não se externar, todos eles estão na sua cabeça, não irei mentir.
O mínimo que pode fazer é estar preparado para lidar com as consequências, se você estiver numa fase ruim, seu impulso será como o de um sádico em autodestruição, se estiver equilibrado o impulso não será forte quando ruim, logo sua atitude será como aquilo que chamam de “o melhor a se fazer”, se você não for um prodígio, só através do erro irá acertar, foi o que aprendi.
Eu concluo:
- Minha apologia é descarada, incensurável, é o que torna a divina comédia mais engraçada, é o genocídio do medo, mas é para uma plateia restrita, é para aqueles que veem a vida como ela é, não como querem que seja, para os que desejam a chave da gaiola e estão dispostos a garantir sua própria segurança.
As pessoas não desejam liberdade no sentido de poder fazer o que quiserem, elas anseiam desesperadamente por um homem ou uma instituição que as digam o que fazer, o mínimo de liberdade já lhes é suficiente se ao menos sentem algum conforto. Para quem gosta de voar alto com todos os riscos da queda fatal, impulsiono o pulso do despertar e vos digo: vocês não estão sozinhos.
J.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Hiato de dois.


Sabe quando uma lágrima escorre do seu rosto sem você sentir nada? Nada mesmo! É tipo quando acaba de acordar e seus olhos concentram toda a preguiça do universo (risos). Essas lágrimas são engraçadas, refrescam a superfície da pele que até então estava quente e enrugada por conta do atrito com os lençóis. É uma boa oportunidade para bancar um ator, dos bons eu diria, principalmente se você estiver precisando externar dissimuladamente algo.
Eu deveria escrever uma vez por semana, basta um rápido “inside”, aptidão para exagerar e acrescentar as palavras certas para tornar aquilo interessante e bang! Temos um texto, nenhum segredo. Estive por aí, vendo e sentindo, você também deve ter feito isso, observando e sentindo coisas semelhantes por ângulos e razões diferentes, brindaremos a semelhança do viver humano?  Perguntei.

- Só de gozação, fantasia, perdição...! Respondeu como se fosse obvio.  
                                                                                                    
- Eu não estive preparando a obra da minha vida ou coisa que o valha, não que eu ache que isso interesse a alguém, mas é que acho que tenho um sonso sentimento de responsabilidade em dar explicações para mim mesmo quando me expresso com alguém, me divirto divagando sobre essas coisas que não importam. Fui embora, não queria ficar muito tempo ali.

Dia passa, noite vem, perco sono, perco manhã, minhas perdas são irrenunciáveis, meus ganhos inegociáveis, pois pobre aqui estou, conversando fiado e tão vadio quanto um vagabundo. Sou um vendedor de férias, mau sucedido, mas bem intencionado, trabalho temporário do carrasco escritor, dissimulo brindes, me esforço no treino da cretinagem, falsifico o futuro, frustro quem espera e espero o que não virá.
Por aquela janela nunca passou por sua cabeça espiar, um manicômio de acesso exclusivo com breve falência, sem médico, um único paciente, perdido no tempo, lacrimejando sem razão, deixou-me um bilhete, tinha dois parágrafos, postei eles aqui, mochila de memórias.
J.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Lobo de mim.


Eu não posso parar de imaginar. Tenho pensado em uma estrada de barro, dessas que ficam em montanhas desertas, acho que eu queria estar agora num lugar assim, nesses lugares aparecem raposas de vez em quando; pelo menos é isso que vemos em filmes.
Eu estaria dentro do carro, não precisaria me preocupar com o perigo emanado pelos dentes a mostra dos meus amigos rosnantes. Estaria intencionado intensamente a pisar no acelerador, alcançando aquele estado em que você sente um frio no peito, como se não pudesse controlar o carro, um estado em que você já não se importa, e não mais que de repente, puxa o freio manual bem próximo da beira do penhasco abismal, eis minha roleta russa automotiva. Acaso e instinto, velhos amigos.
Não busco mais pela verdade, se há alguma “verdade”, serei cavalheiro; não irei prostitui-la em meus lábios, minha vacina, ou melhor, meu antídoto, é estar bem longe, fora da frequência, me vendo da sala de controle sem interferir em nada, cego, surdo, mudo e paraplégico para variar. Modo automático do palhaço robô, que aperta o botão: “ver em terceira pessoa”.
Impeça-me de estar longe, de acordar desse sonho de menino, de esquecer que te amo, de apertar o botão; eu ando sobre o topo de um muro, passos precisos, garoto altivo, mas só até que o vento sopre e confesso: quero cair do seu lado meu bem.
Sabe, aqui em cima é bem escuro; inverno macabro, chuva que corta, sangue escorrendo em palavras vazias, sem trilha sonora, sem passatempo, um corpo congela enquanto caminha, definha o desejo de ser mais que um, de bom só sobrou um parágrafo de três linhas, foi o que o lobo deixou.
J.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pena.



Hoje a noite, 21:00 horas, expiro. Inspirei por muito tempo, estava muito ansioso para poder  parar o tempo, faço isso quando transmuto o que se passa na minha cabeça para essas palavras, pois é, na minha cabeça, no meu iglu sagrado, no meu inferno macabro, é onde tudo é possível, onde tudo pode ser perfeito.É essa a ideia que tenho em mente, que tento alcançar e que sei que não vou conseguir, já tentou entortar colheres com o poder da mente? Frustação.
Frustação é só pra quem espera que as coisas aconteçam, estar preparado para lidar com o presente e sua constante mutabilidade é pressuposto para que esse sentimento miséravel, infimo, seja extinto, é isso que venho vazendo, caçando o que me frusta, se a tristeza tivesse pele, isso seria a unica coisa que iria restar dela, essa pele seria meu texto.
Meus pulmões estavam cansados, muito embora eu tenha fumado bem pouco, eles se cansaram de inspirar. Inspiro e depois expresso, inspirado por uma noite que mal pude sonhar. Não da pra ser indiferente sempre sabe? A toda hora, a todo tempo e instante, aqui exponho minha fraqueza, deitado no trilho do trem, a piada que não tem graça, o sorriso falso, o cuidado a quem lhe é indiferente. Mulher, mulher, mulher, sois verdadeira apenas consigo mesmo, apenas na tua cabeça onde teu mundo é perfeito, ora, já pensou se eu fosse assim também?
Não haveria blog, amor, carinho ou cuidado, logo, eu não posso ser assim, vivo de imperfeição, mesmo que minha cabeça fosse muito boa, ainda assim escreveria, porque não acredito em bixo papão. Fito e pago putas num futuro proximo, gozo e vou embora, sem nenhum remorço, onde eu cheguei, qualquer um pode chegar, nenhum lugar especial, porque onde eu queria estar, há alguém que hesita em me deixar entrar.
Vou vendo minha vida em terceira pessoa, não tenho nem lagrimas pra vender fiado, afinal, meu cliente furtou meu coração, não tinha trocados, vai ficando distante que nem horizonte, meu texto vai virando prosa, mas ainda assim, nenhum valor, diamante é amor, clichê é amar, barato é qualquer coisa que não dá pra lembrar, sou eu e minha abstração. Os detalhes são infinitos para olhos que insistem em brilhar, eu digo: Nem tudo é possível recuperar, não mesmo.
Ps: Não quero que ninguém acredite em mim, aqui jaz um comediante.
J.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Perturbação


Eu sinto como se uma força muito forte tentasse todos os dias me corromper, me cooptar para as sombras, eu nasci bom, mas eu não sei até quando essa bondade vai residir intrínseca ao meu caráter, um anjo e um demônio moram dentro de mim, travam uma guerra que por vezes, posso sentir o baluarte dos sinos que ecoam e resvalam nas paredes do meu intestino, nos corredores do meu cérebro, uma guerra só tende a produzir efeitos negativos que se refletem na minha saúde mental, não sei por que ainda me mantenho racional, atento e saudável frente a essa guerra, um dos lados deve estar perdendo, mas sinto como se isso fosse infinito, por vezes o demônio tem a glória da vitória nessa batalha, por vezes me entrego aos prazeres mundanos tão repugnantes quanto à realidade que se faz presente no mundo em que vivo, por vezes sinto-me satisfeito, extasiado no prazer propiciado pela realização das minhas vontades instintivas, por vezes o isolamento se faz a alternativa em face das conturbações provenientes dos raios que se chocam nos meus lapsos de paranóia.
O mundo da imaginação é o mundo em que vivemos, atribuímos significados valorativos de cunho egológico com caráter dogmático como se fossemos deuses. Eu acho engraçado a lacuna que se estabelece entre o devaneio, e o que é propriamente real, uma piada, porque rir é a conseqüência do meu desespero e da minha felicidade, sorrindo eu esqueço o significado que permeia minhas impressões. A ironia é a minha ferramenta predileta, é subliminar e precisa, traduz a ausência de sentido inata à mortalidade, é influência ao hedonismo, é influência ao cultismo do que me dizem ser importante, a ironia é a prancha em que surfo nas ondas do mar do pais tropical que tenho tanto orgulho, eu não ouso por meus pés nesse mar sujo, muito menos amo esse pais, eu respeito ambos, muito embora não tenha motivos para isso.
Por vezes o anjo tem a glória da vitória, por vezes me surpreendo em face das minhas ações de benevolência frente ao próximo, eu poderia moldar a visão de cada um na realidade que fosse conveniente para a obtenção dos meus desejos, eu ajudo pessoas, eu relevo ofensas, eu tenho uma consideração natural por qualquer um que ouse interagir com a embalagem na qual me encubro, por vezes me sinto bem, completo e pleno, mas isso não se mostra suficiente frente a todas as circunstancias.
O sorriso de um homem em cujo o corpo, a metafísica, os anjos e os demônios travam uma guerra, se observado de perto, é composto por sangue, é esconderijo dos vermes que aguardam o apodrecimento da carne frente ao tempo, é também, objeto da memória de quem vivenciou momentos em que as cores deram a este sorriso uma significação verdadeira e feliz.
 Eu não torço para nenhum dos dois e por isso sigo o meu próprio caminho, sorrio e digo:
 - Que vença o melhor ou que lutem exaustivamente até o dia da minha morte, porque ela é a única coisa que não posso evitar, estamos condenados, ninguém merece mais isso do que nós.  
J. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

De verme a mosca.

Lado ruim; tentação, ganância, vaidade, violência, corrupção, apatia, luxuria, tenho tudo isso dentro de mim na ausência de amor, um grito que urge da dor que quero transmitir em seu aspecto literal a qualquer individuo que mesmo superficialmente pareça merecer; um soco, uma queda.  Incontrastável frieza freia-se no meu brando caráter,por conseguinte, se choca com a soberania da lua cheia.
E então um abraço mortífero da solidão que me seduz, frio na espinha, pêlos arrepiados.
Por um tropeço, por uma derrota, por tudo aquilo que não convêm, encontrei razões. O caminho da vida sob essa perspectiva se assemelha a uma cachoeira de mentiras, a qual para se manter vivo é necessário estar alinhado de forma paralela. A esperança por vezes se esvai, então o produto se torna motor de justificações sombrias. Decepções seguidas de reações, o único de jeito de continuar é seguir em frente.
Seguindo em frente, percepções diferentes da usual são bem vindas, quase não percebo a trilha que a pequena pastilha inocente traçou em minha garganta.
Bem vindo à violação; fruto da conduta de um povo, que agora treme frente a tal presença.  Não importa a quem não se sujou nessa lama, justificativas provenientes da ingenuidade. Amontoados nesse abismo de solidão fomentam unicidade de uma praga insolúvel e implacável; queimo e danço na marcha derradeira que me mantém vivo, sem chance para quem almeja um romance.
Minha mente cada vez mais próxima do que se conceitua como estado de loucura, amigos imaginários, distorções visuais, alargamento da percepção, impressões subjetivas. 
Então se formam asas de cicatrizes, uma armadura inviolável que possibilita uma viagem sem medo para qualquer lugar, só depois disso foi possível conhecer o lado “bom”.
Por fim, você percebe que a margem do que é real, bem como o que é propriamente real não lhe é suficiente, suas justificativas para o suicídio estão prontas, seu afastamento social está iniciado, resta o sinal do sinalizador vermelho que reluz no céu, máxima esperança para os perdidos no mar.

Ps: Antes que me perguntem, eu ainda não vou me matar, isso é só uma dessas bobagens que a gente escreve num momento ruim, lembrando de outros momentos ruins, é engraçado porque estou muito melhor agora, a lua cheia passou, levou com o mar revolto toda a confusão.
J.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Silêncio

Meu silêncio é hiato,
Meu silêncio é vontade
Meu silêncio é razão,
Meu silêncio é saudade.

É inquietude, é receio,
É casca e verdade,
Se estende ao infinito,
É barulho e grito.

É amor de mãe,
Proteção e cuidado,
É natureza e graça,
Violência e compaixão.

É bobagem e nostalgia,
É pensamento e oratória,
É essência e sentimento...
Baú de um sorriso inocente.

(Um abraço sincero destinado a meus leitores da Alemanha e dos Estados Unidos por suas visitas fieis; Avante Brasil!)
J.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Árvore amarga, fruta doce

Pílula azul e vermelha, você conhece minha historia, não é? Tudo sobre morte, amor, alucinações, impressões, expressões, por aí, mas estou vivo e quero saber a cor resultante da mistura. Engraçado é se importar, ter uma consideração natural pelas coisas, fazer esforço para alcançar a indiferença, ser coagido por uma moral que ainda resta, um resto infortuno.
Engraçado é saber que existem pessoas que se importam. A vida é muitas vezes uma piada tão sem graça, muitas vezes tão colorida que te faz passar mal de rir, alegria.
Nervosismo; o sol quente que pesa sobre os ombros, que te faz fechar os olhos, enquanto você encaixa a chave na porta, a chave cai e alguém pega pra você, você fecha os olhos de novo e tenta encaixar a chave novamente, chave errada; Então você respira fundo, abre os olhos e encaixa a chave certa, de repente, você abre a porta com um pontapé, como um coice de um cavalo; Tranquilidade é suar sob o sol e depois se refrescar com um banho de sombra proveniente de folhas verdes de árvores marrons.
O cachorro está doente, doença aparentemente terminal, triste, introspectivo, silencioso e tão sombrio quanto à cor dos seus pêlos...  Caralho, não é meu, mas sou responsável não sou? Ele mora na mesma casa que eu, me espera e me recepciona até todas as minhas voltas, pula e me lambe até todas as minhas saídas... Eu? Eu vou e volto, como você faz ao ver um mendigo, sujo, fedido, as margens de um asfalto qualquer, não diz o que você pensa, nem age conforme, se trata do que você faz... Você faz, faz mesmo, faz no seu espelho um reflexo tão macabro, quanto uma sombra que se divide em duas na calada da noite, duas caras.
Comodismo; Não quero ter um cachorro, não agora, me incomodo por não querer cuidar dele, afinal tem quem cuide. Não quero ver mendigos, também posso fazer algo sobre isso e vou, vou mesmo, vou onde está roxo, no meu coração, no dele, no seu, me aguarde, meu cachorro sobreviveu e está bem agora, seus pêlos brilham e parecem macios, eu evito alisar, eu evito me importar, mas ainda assim me importo e é por isso que tenho que fazer algo, é por isso que vou fazer algo. Mesmo com pouca consideração a vida, enquanto se está vivo, ainda há ternura nas lagrimas de quem chora. Ela existe, existe mesmo... Maçã, mulher, amor, graças a elas eu ainda sei fazer poesia, nada de amor platônico, não tenho medo de morder.
J.      

quarta-feira, 21 de março de 2012

Efeitos Entorpecentes (Postagem Especial)

 Compartilhando semelhanças e diferenças com Jim Carroll, à sua memória, a qual me inspiro para escrever esse texto;

 Quando eu era garoto, devia ter uns 8 anos, tentei fazer amizade com deus convidando ele pra brincar comigo porque eu me sentia muito sozinho. Ele nunca apareceu, tentei conversar com ele na minha cabeça, mas às vezes eu pensava em coisas tão bizarras em resposta as minhas perguntas, isso me fez perceber que deus era só minha imaginação em busca de um amigo imaginário, era só alguém que outro alguém me falou que me ajudaria quando eu precisasse. Isso nunca aconteceu. Eu até estudei em um colégio católico e frequentava a missa aos domingos, mas isso não quis dizer nada sobre o meu atual comportamento, não me lembro de ter tomado uma surra severa, eu sempre as enfrentei com uma raiva que se sobrepunha a minha dor. Eu também era filho de mãe solteira e molhei pela primeira vez minhas meias por volta dos 14-15 anos;
“Sinos tocam em meus ouvidos. Luzes piscando em meus olhos...”
 Vez em quando eu derrubava as roupas das pessoas de seus varais e corria delas por aí, o meu futuro era de certo brilhante. Tive uns problemas com complexo de inferioridade, para se manter em pé com esse tipo de paranóia, você precisa ter presença nas ruas, presença como um tigre e não como um gato, o gato passa metade do seu tempo correndo de cachorros ou tentando achar alguma presa insignificante, isso quando não tem de depender de um dono que o ache fofo ou coisa que o valha, um tigre consegue o que quer com a maior indiferença, em um único movimento e não tem que correr de ninguém. Um segundo ou dois no seu movimento voraz... Eu? Eu ando como um tigre.  
Não suporto esse jeito, meu calcanhar contra meu colchão, sendo o meu pé a única parte do meu corpo que não cubro com meu edredom, ficar assim até é legal, mas imaginar uma fantasia pesada de sexo para que eu pudesse gozar rapidamente e ter de esquecer meus desejos de homem, é de certo modo triste. Claro que quando me satisfaço fico tranqüilo, como plantas que se balançam de um jeito sexy em meio à brisa da noite, mais valor teria deitar-me nu ao lado de quem eu amo sob as estrelas, sendo minha excitação natural, consequente ao momento.
“O tempo voa quando se é jovem e está se masturbando”.
Às vezes choro quando imagino meu suicídio e todas as despedidas que eu não teria tempo pra fazer, a morte não incomoda, mas as despedidas sim. Fico pensando se vou ter tempo de escrever sob a forma de todas as idéias que tenho, conhecer tudo que tenho curiosidade ou viver um romance com quem eu espero, esperar é um desperdício, mas pra essas coisas a gente não costuma ter outra saída. Memorizo cada expressão daquela face, olhar fixo que reprimi meus impulsos.
“Eu me imaginei remando por um rio em águas negras, só que a canoa flutuava pra trás e não pra frente, estava cheio de nuvens e rostos riam como em um trem fantasma.”
Toda turma tem seu jeito de provar quem é o babaca, eu nunca me importei com isso ou pensei dessa forma, mas como os garotos do Brooklin, apertei um cigarro aceso contra o meu braço até apagar em seu filtro sem fazer o menor movimento. Na verdade já fiz esse tipo de provação em outros vários exemplos, esses vários exemplos correspondem ao meu nível de idiotice, mas tem que ter alguém para fazer essas coisas, do contrário não teríamos uma lembrança forte o suficiente para levar ao tumulo, ou do que rir depois, o problema é que ser esse alguém pode não fazer a mínima diferença...
“O navio branco desaparece na máquina de ondas hoje de manhã, seus olhos se fecham com correntes secretas, os exércitos de travesseiros de repente se libertam, como cavalos macios por desertos de brinquedo”.
Uma vez viajando em um dos meus sonhos de idiota apaixonado, eu perdi uma parte de mim, me senti tonto como se tivesse saído de um filme de 4 horas sem ter entendido nada, continuava pensando naquela ferida, e em como tudo tinha sido uma farsa, foi como perder um amigo próximo para a morte, mas naquela ocasião só o meu coração que havia parado. Na vida algo sempre acaba dando merda, a gente tem de curtir, eu concordo;
“Você está crescendo e a chuva parece que fica nos galhos das árvores que algum dia dominará a Terra. E é bom que exista a chuva, ela clareia os meses e suas tristes expressões de arco- irís. Limpa a rua dos exércitos silenciosos para podermos dançar”.
Eu já contei sobre a primeira vez que tomei o chá e tive um efeito decente? Não foi em um ambiente pesado, na verdade eu estava indo almoçar na casa dos gêmeos, de repente meu almoço se tornou efetivamente uma espécie de ritual xamã na procura do deus sol, mas na verdade estávamos cercados pelas ruas imundas que naquele momento não nos possuíam, eu sempre achei que poderia conciliar o rumo desse meu futuro brilhante com lapsos e distorções de outras dimensões, e eu posso, mas é claro, as conseqüências nem sempre me agradam, o segredo está na forma com que você obtém isso.
“Foi como uma grande onda de calor passando pelo meu corpo. Desapareceu todo sentimento de dor, mágoa, tristeza ou culpa que eu poderia ter”.
Meus excessos se justificavam com o lance do sábado a noite; Você fica legal como um super herói ou super astro do rock. É uma coisa para matar o tédio, entende? Você começa esporadicamente como um pequeno hábito, você se sente tão bem que começa a fazer nas terças, nas quintas e pega você. Todo cara que eu conheço diz que não vai acontecer com ele, mas acontece, a cada mergulho nesse estilo de vida fica mais difícil emergir;
“Você quer parar, você realmente quer, mas às vezes é como um sonho. Não pode parar os sonhos, eles se movem em pedaços malucos para onde querem ir e de repente você é capaz de qualquer coisa... Babing! Babang!”
Drogas são uma das coisas que tendem a te levar para um final ruim, mas quaisquer regras podem ser burladas, desde que quem o faça seja suficientemente mais esperto do que a regra em si, o interessante da vida é que muitas coisas além de drogas satisfazem o desejo de sentir o êxtase do momento, mas é ainda mais interessante e perigoso quando essas coisas causam as mesmas consequências que as drogas em si, eu costumo mergulhar muito fundo quando gosto de algo, quando esse algo é mais atraente que a realidade em si, logo qualquer coisa com uma embalagem mais atraente que a própria realidade é uma droga em potencial para gente como eu, você só aprende a moderar essas coisas com o tempo, tropeçando e fincando o rosto no chão, como em uma transa, fazendo com que seu nariz faça parte do asfalto quente enquanto seu sangue representa seu esperma, nesse contexto o amor é cruel com os iniciantes;
“Era um sonho, não um pesadelo. Um sonho lindo que eu não poderia imaginar em mil noites. Vi uma garota ao meu lado, que ficou bonita quando sorriu. Senti aquele sorriso em minha direção e ondas de calor em seguida encharcando meu corpo e se esvaindo pelas pontas dos dedos em fachos coloridos. E soube que em algum lugar do mundo, em algum lugar havia amor para mim.”
De repente você está largado em algum canto como se estivesse em coma ou algo que o valha, deprimido, desmotivado e muitas vezes inconsciente, uma apatia terrível, mas eu sei que não estou sozinho, sei que meu barato não é algo necessariamente ruim, é talvez o ponto de partida para abraçar a realidade, para construir uma identidade sólida e coerente, para encontrar o amor que o mundo reserva para mim, nem sempre dá pra conciliar as coisas, mas felizmente eu sei onde ela está, sei que farsas são os momentos em que me esqueço e fujo para outra dimensão, sei que esperar pode compensar, sei que as energias boas e ruins que sinto, nada tem haver com o deus que me apresentam, sei que a consequência negativa do meu objetivo já se faz nula, porque quando um coração que já parou volta a bater, é porque ele se tornou tão forte quanto o de um titã, e eu o sou, ou pelo menos gosto de sonhar assim.
J.    

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Confusão meia boca.


     Nunca tive medo de começar algo, já tive medo de terminar, hoje não tenho medo nem disso nem daquilo, fico assustado, mas isso nunca é maior do que deveria ser. São trocas de novelas e meras conseqüências, caprichos e expectativas sem muita altitude, mas conhecemos exceções não é mesmo? Na duvida, siga em frente.


 Sensação, eu tive a certeza de que iria morrer e através daquilo tive certeza de quem eu era, pois me mantive fiel as impressões de outrora se desenrolando em expressões originais, uma piada pra recordar. Tenho muita experiência, mas sempre vai faltar, a inexistência toma forma pro ser consciente. Vou registrá-la, pois quando a minha novela terminar, em algum lugar vai estar gravado. Nenhum filho, nenhum casamento, nenhuma posse, rabiscos do homem primitivo na parede moderna, hora meia boca, hora caprichosos. Felicidade que se mistura em tragédia.
Estive em um lugar, muito, muito alto, não dava pra chegar lá sozinho, vinte cigarros e uma garrafa; 100 metros acima e uma queda. Uma garota; o topo do pico e uma avalanche conseguinte. Eu estou curioso, não tenho ficado muito tempo sozinho, nem muito tempo acompanhado, quando contente, nem sempre com um sorriso no rosto, quando triste, nem sempre introspectivo, sei quem vai me levar ao topo em um salto e cair após a chegada, sei quem vai subir comigo e simplesmente desistir por estar cansada, e principalmente eu sei, sei quem vai ficar. Eu quero sentar, tomar um bom vinho e ficar tonto, tirar fotos com meus amigos e me encher de nostalgia, esquecer do mundo e consumir um longo momento alienante, amar e sentir saudades. Eu não quero uma bexiga furada, um suspiro fugaz ou segurança em excesso. Eu nunca achei tão bonito, fogos de artifício, mas eu sempre quis explodir como um, gozar, gozar, gozar.
J.