Quem sou eu

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Salvador, Bahia, Brazil
Tentado pela maçã que invade seu pseudo-espaço, angustiado pela irresolução que se lança sobre suas fantasias, instável como um big bang caótico, que se faz em uma rubra pincelada em um céu vazio, perdido de uma viagem eterna em um mar de consciência flutuante, eis o navio de cristal, eis três viajantes em um mesmo barco, tão frágil quanto a relatividade de suas emoções, sozinhos a buscar pelo ideal perdido, doce vicio, quanto ao qual é escrever sobre o que há de ser, pensar, fazer, sonhar e por fim realizar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Roleta e o Pescador.


O desejo impossível do errante palhaço,
Queria ele ser o primeiro em teus braços,
Antes de todos que você conheceu,
Mas teu coração, a ele nunca pertenceu.

A coragem do idiota que anseia,
Ser foco da mira de um 38 engatilhado,
O amante suicida no seu ritual sagrado,
A roleta russa do homem apaixonado.

Sim, o ciclo de insistir em caminhar,
Na estrada de quem a outro se dá;
A irresponsabilidade de pertencer,
Sem a quem reclame qualquer posse.

O céu nublado prevê a tempestade,
O homem sai remando teu pequeno bote,
A pequena sereia canta o beijo da morte,
Mas dessa vez ele quer viver,

Pois foi pescar o amor. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu mal.


Parecia um fim de semana qualquer, um dia em que estava cansado e buscava o afago dos abraços amigos, mas não é sempre que achamos o que buscamos, muitas vezes somos achados, e eu fui.
Flui no meu sangue um veneno de uma cobra mortal. Envolveu-me em seu corpo frio e escamoso, me apertou até que eu já não pudesse resistir, um grito ecoou em silêncio no lugar mais escuro da minha alma, um veneno tão caro quanto um vinho velho, bem, eu tinha que pagar por ele, paguei com minha paz. Recebi uma carta do passado, ela revelou algo oculto, revelou segredos que prostituiram minhas lembranças outrora guardadas como troféu.
Hoje é o dia em que eu o liberto. Queime tudo com o olhar capaz de carregá-los ao inferno, pensei. Mas tudo que posso fazer é vomitar caso eu a veja, porque sim, eu sinto nojo. A piada com gosto de sangue, os sorrisos sem dentes e o palhaço sem cor, o tripé do que restou. Duas porcas e um galo, incumbidos de transmitir a sífilis para o hímen virgem que eu amava, que eu pensava amar, que representava o único momento em que eu pensava contatar aquilo dito “ser puro”.
O engano se tornou o ingrediente para condicionar o que está em mim agora, o mal. Não tenha medo, meu anjo, irei guardá-lo aqui dentro, mas se me ver irá saber o quão longe deve ficar. Amo-te cobra, trouxe-me a luz da verdade, a escuridão do pesar, a liberdade do sentir, e o caminho a se traçar, longe das porcas, da sífilis, da mão suja com a que me tocou. Desgraçado é todo o tempo que perdi em ti, mon petit.
J.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Impulso


A gangorra que vem e vai na estrada dos loucos, o impacto que se soma na calada da noite  ilumina o horizonte com uma fogueira incessante, cheiro de morte, gordura grudada no estofado, ferragens contorcidas da gaiola humana artesanal, arte contemporânea é isso, mas eu não fico pra ver.
Isso não me interessa, mas tenho que admitir, é um dos ramos do fluxo do tempo que o futuro fim de semana me reserva, eu não acredito nisso, mas tive que escrever, eu não achava isso certo, mas tive que fazer, eu desprezava isso de tal forma que nenhum adjetivo seria suficiente para caracterizar o meu desprezo, mas por capricho mostrei-lhe um pouco da minha repulsão.
Eu confesso:
- De nenhuma outra forma poderia ser mais sincero, de nenhuma outra forma obteria o prazer proveniente dos riscos de todos os conflitos e perigos, de nenhuma outra forma poderia ser mais fiel ao meu instinto.
Eu penso:
- Tolice é a forma ingênua com que se externa um impulso, tolice é reprimi-lo, é quase como um aborto prematuro de si mesmo, mas não leve isso ao pé da letra meu caro, existem limites que delimitam se o impulso pode ou não se externar, todos eles estão na sua cabeça, não irei mentir.
O mínimo que pode fazer é estar preparado para lidar com as consequências, se você estiver numa fase ruim, seu impulso será como o de um sádico em autodestruição, se estiver equilibrado o impulso não será forte quando ruim, logo sua atitude será como aquilo que chamam de “o melhor a se fazer”, se você não for um prodígio, só através do erro irá acertar, foi o que aprendi.
Eu concluo:
- Minha apologia é descarada, incensurável, é o que torna a divina comédia mais engraçada, é o genocídio do medo, mas é para uma plateia restrita, é para aqueles que veem a vida como ela é, não como querem que seja, para os que desejam a chave da gaiola e estão dispostos a garantir sua própria segurança.
As pessoas não desejam liberdade no sentido de poder fazer o que quiserem, elas anseiam desesperadamente por um homem ou uma instituição que as digam o que fazer, o mínimo de liberdade já lhes é suficiente se ao menos sentem algum conforto. Para quem gosta de voar alto com todos os riscos da queda fatal, impulsiono o pulso do despertar e vos digo: vocês não estão sozinhos.
J.

Velho Conhecido


Ahhh, minha velha amiga, te encontro de novo, haha, só falta chorar de emoção... Doce combinação que flui eterna enquanto dura... Que sorte... Fazia tempo que não te via, como vai você?... É acho que na mesma, desfrutando da mesma essência decaída, corroída... Estamos juntos nessa estrada de novo, com o amor em mente e a calma do ódio no coração... Haha, pois é, você sempre esteve certo, no escuro é mais fácil de enxergar... Que pena, só o que enxergamos somos nós... Nós e o abismo á nossa frente, o mesmo abismo que nos faz um Deus... O mesmo abismo que nos faz morrer a cada momento, nessa silenciosa inquietude mortal que faz as sombras de nossa alma se exporem, eu sorrio, te cortejo e violo, morremos aqui e agora nesse imenso fluxo desse amor já bem conhecido, nossa energia é escura, não existe compreensão, só o vício, nosso fogo é um, aqui nós nos consumimos, plenos e completos... Como nosso destino se fez. Você bem sabe, nunca houve volta, nunca haverá, nesse caminho brutal, grotesco, só o que nos resta é a imortalidade... e disso... Você bem sabe.

Em anos, eu descanso, meu amor.

Y.